
A criança e o brincar
É através do brincar que a criança se expressa.
Valéria Marinho
6/30/20251 min read
A análise infantil, a partir das contribuições de Melanie Klein e Donald Winnicott, compreende a criança como um sujeito psíquico ativo desde os primeiros momentos de vida. Para Klein, o brincar funciona como uma forma de linguagem, por meio da qual a criança expressa fantasias inconscientes, angústias e conflitos internos, permitindo o acesso direto ao seu mundo emocional. Winnicott, por sua vez, enfatiza a importância do ambiente e da relação com o cuidador, destacando conceitos como o holding, o brincar e o espaço potencial, fundamentais para o desenvolvimento do self. Juntas, essas perspectivas reforçam que o cuidado emocional e a escuta sensível são essenciais para a saúde psíquica infantil.
Na clínica psicanalítica infantil, essas concepções se traduzem em práticas concretas de escuta e observação. O brincar, utilizado como principal instrumento clínico, permite que a criança simbolize experiências difíceis que muitas vezes não consegue verbalizar, como medos, perdas e conflitos familiares. É comum, por exemplo, que situações de agressividade, regressões ou dificuldades escolares apareçam no setting analítico como expressões de angústias emocionais profundas. A clínica também evidencia a relevância do ambiente familiar, tal como proposto por Winnicott: falhas no cuidado, mudanças bruscas ou ausência de uma função sustentadora podem impactar diretamente o desenvolvimento emocional. Assim, o trabalho analítico envolve não apenas a criança, mas também a orientação aos cuidadores, favorecendo um ambiente mais estável e responsivo, capaz de promover integração psíquica e amadurecimento emocional.
