Literatura e depressão pós parto
Livro: Uma Família Feliz
Valéria Marinho
5/29/20251 min read
A discussão que levanto aqui é sobre ser Eva, personagem principal da trama descrita em Uma Família Feliz. Uma espécie de “mãe social”, que foi seguindo as regras e se deparou grávida... aí a coisa desenrola e você precisa ler, não vale só assistir ao filme, para sentir na pele tem que ler o livro.😉
Pois bem, a pauta em questão é a depressão pós-parto (será que é mesmo pós?), a necessidade do olhar externo para o interno da mulher no puerpério, a normalização social de que é dever da mulher dar conta da maternidade e da vida que continua é um desrespeito ao emocional (cindido, confuso e amedrontado) que se sustenta diante da idealização da maternidade, do quanto a mulher é virtuosa e deve se orgulhar por estar nesse lugar. Não que inválido o momento único e precioso de ser mãe, já mais!!!! mas antes de tudo existe uma pessoa, uma mulher que carrega suas dores, traumas, medos, anseios, sonhos e vontades. Uma mulher que se cobra e é cobrada para que dê conta de todas as coisas, de si, do bebê e do outro.
Desvendando Eva, fui levada a analisar o descaso social com o trabalho feminino, independente de qual seja, a solidão por estar só, mesmo rodeada de pessoas, a angústia de não ter com quem falar e, além de tudo, não saber o que falar, pois o que está lá dentro, nos pensamentos intrusos e nas emoções aprisionadas, choca, constrange, ameaça e agride a incontestável felicidade que nós, mulheres, somos obrigadas a ostentar.
Como a Eva de Uma Família Feliz, muitas mulheres se arrastam pela vida na tentativa de dar conta de ser aquilo que se espera dela.
Aproveitem a leitura e, caso precisarem estarei aqui.
